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Índios e Ciência juntos
Rivaldo Chinem
1/3/2018 16:57:00
Richard Spruce percorreu a América do Sul no século XIX, estudando as plantas da Amazônia, do Norte dos Andes peruanos e do Equador, além de coletar informações sobre povos indígenas da região

O botânico inglês Richard Spruce (1817-1893) percorreu a América do Sul no século XIX, estudando as plantas da Amazônia, do Norte dos Andes peruanos e do Equador, coletando-as e enviando-as para a coleção do Jardim Botânico Real de Kew, na Inglaterra. Durante sua expedição, que durou 15 anos, de 1849 a 1864, a região do Rio Negro foi a que mais o encantou, coletando ali o maior número de espécies e gêneros desconhecidos. Spruce fez anotações sobre o modo de viver e falar dos povos indígenas da região, desenhando retratos das pessoas e paisagens que encontrava. Ele também enviou para a Inglaterra vários artefatos, incluindo ornamentos rituais e utensílios do dia-a-dia, que se encontram ainda hoje preservados e podem ser visitados nos acervos de Kew e do Museu Britânico. Ao que tudo indica, o trabalho do botânico inglês não foi em vão, ao contrário, ganhará reforço com toda a tecnologia hoje disponível.

A ideia central é aproximar os povos indígenas da Amazônia dessas coleções, que contam com aproximadamente 14 mil espécimes de plantas secas no herbário e 350 artefatos etnobotânicos na Coleção de Botânica Econômica de Kew. Os dados e imagens dos artefatos e das amostras de plantas foram repatriadas e estão agora acessíveis em uma plataforma livre – o Herbário Virtual Reflora, sendo disponibilizados de maneira digital aos descendentes dos povos visitados por Spruce há mais de um século, bem como ao público em geral.

Manual de Etnobotânica (Plantas, Artefatos e Conhecimentos Indígenas) recentemente lançado, faz parte de um projeto pioneiro unindo instituições brasileiras e inglesas, com o objetivo central de reconectar os povos indígenas com as observações e coleções realizadas pelo botânico inglês Richard Spruce, no século XIX. A publicação é resultado de um amplo projeto que une os conhecimentos indígenas e científicos sobre as plantas e seus usos, coleções guardadas em acervos institucionais, assim como sistemas de classificação e visões de mundo. O projeto é realizado em parceria pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), o Instituto Socioambiental (ISA), o Jardim Botânico Real de Kew, a Birkbeck - Universidade de Londres, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Com apoio do Fundo Newton do Reino Unido, por meio do Conselho Britânico (Edital - Institutional Skills 2015), o projeto traz à tona dados e objetos coletados principalmente na Amazônia brasileira, que foram guardados em instituições inglesas há cerca de 150 anos. O manual impresso foi distribuído para instituições e para as comunidades indígenas da região do Rio Negro. A versão digital pode se acessada pelo ISSUU e está disponível nos websites das instituições parceiras.

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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