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Prolongar a vida
Rivaldo Chinem
23/3/2018 17:49:00
É natural e esperado que ciência e tecnologia desafiem os limites da legislação, provocando reflexões sociais para que as regras e as leis sejam alteradas

Falar em investir na Ciência em um país como o nosso em que há questões muito mais básicas de compreensão só há um jeito: ênfase na educação. É o que diz o neurocientista brasileiro especializado com células-tronco, Steven Rehen, professor titular de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A ciência no Brasil nunca teve o apoio como observamos em países europeus, no Japão ou nos Estados Unidos. Trata-se de uma questão histórica, de quando a Ciência começou a fazer a diferença naqueles países: “Se compararmos quando surgiram as primeiras universidades na Europa, ou nos Estados Unidos, temos aí um distanciamento de séculos do surgimento das primeiras universidades brasileiras. Claro que, se compararmos à Coreia do Sul, concluímos que poderia ser diferente: até há pouco mais de 15 anos, a Coreia estava numa situação menos favorável que a do Brasil em termos de investimentos em ciência e educação, mas conseguiu se reposicionar em pouco tempo”.

Em entrevista à revista E, dirigida por Miguel de Almeida, o professor Rehen observou que a biotecnologia é o presente e o futuro. Ela também apresenta ferramentas e materiais associados que são lúdicos e atraentes para gente de qualquer idade. Há ações de divulgação científica no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, que instigam os jovens a participar do universo maker, a cultura que aproxima a lógica do “faça você mesmo” da tecnologia. Nos Estados Unidos há os garagelabs, laboratórios de garagem em que se pode alugar equipamentos de laboratórios para fazer pesquisas em biologia. São maneiras de estimular cada vez mais a buscar compreender a importância da ciência por meio da biotecnologia.

É natural e esperado que ciência e tecnologia desafiem os limites da legislação, provocando reflexões sociais para que as regras e as leis sejam alteradas. Os transplantes de órgãos tornaram-se possíveis graças às mudanças da definição clínica da morte, que passou a depender da parada de funcionamento do cérebro, não mais do coração. A ciência é muito mais rápida, enquanto a legislação é um consenso de pessoas que devem debater e refletir. Leva tempo. Enquanto isso, a Google criou uma nova empresa, a Calico, para estudar o envelhecimento e expectativa de vida. No Vale do Silício, como há muito dinheiro, é possível investir em coisas que pareciam do outro mundo, inimagináveis. Olhar a morte como doença. Uma mudança de paradigma que desafia a religião e o nosso futuro. É viver para crer.

Rivaldo Chinem é autor vários livros, como “Terror Policial” com Tim Lopes (Global), Sentença – Padres e Posseiros do Araguaia” (Paz eTerra), “Imprensa Alternativa – Jornalismo de Oposição e Inovação” (Ática), “Comunicação Corporativa” (Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro), “Marketing e Divulgação da Pequena Empresa” (Senac) na 5ª.edição, “Assessoria de Imprensa – como fazer” (Summus) na 3ª. Edição, “Jornalismo de Guerrilha – a imprensa alternativa brasileira da censura à Internet” editora Disal,   Comunicação empresarial – teoria e o dia-a-dia das Assessorias de Comunicação” , editora Horizonte, “Introdução à comunicação empresarial”, editora Saraiva, “Comunicação Corporativa” editora Escala com prefácio de Heródoto Barbeiro ; e "Comunicação empresarial - uma nova visão da empresa moderna" (Discovery Publicações).



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